sábado, 19 de dezembro de 2009

A PEQUENA TORRE DO MEU GIGANTESCO CASTELO


Ver seu rosto transforma o meu dia. A brisa que sinto todas as manhãs, transforma-se em ventania quando olho pra você. Meu coração que no compasso certeiro das batidas escreve sua lida, desconcerta-se diante da sua imagem, acelera como um louco procurando as cores e os sabores para te conquistar.

Imaginar você é uma maneira de trazê-la para perto de mim. Imaginar você é ter a certeza de que a nossa realidade é muito mais perfeita que a nossa imaginação. Vejo você nos sonhos, mas não toco sua pele, não sinto o seu rosto. Quando estou ao seu lado, toco seu corpo, e vivo num constante sonho. Por isso, com você, minha realidade é mais completa do que as minhas fantasias.

Sentir seu gosto enche minha vida e preenche minha boca. Deve ser por isso que quando estou contigo minhas palavras somem. Não sou quieto, sou tagarela, mas mesmo esse ser falante se dobra diante do não saber expressar através de frases quão maravilhoso é estar ao seu lado.

Seus lábios são a energia que preciso para desvendar os mistérios do seu sentimento. Seus olhos são as janelas nas quais me deleito, debruçado a noite e vendo o céu. No céu estrelas brilham intensamente. Há anos luz que milhares de pontos celebram seu calor. Não sei quando começaram nem quando se apagarão, por isso digo que são eternas.

Quando se sentir sozinha, olhe para a imensidão do universo. Busque um ponto no qual fixar o olhar, e saiba, que onde eu estiver, sentirei seu apelo de carinho. Virei correndo ao seu pensamento e entrarei no seu coração. Agradeço aos meus pés que um dia mudaram a direção da minha vida e me trouxeram até você. Sempre estarei aqui para que você possa encostar a sua cabeça e expressar as dúvidas inquietas da sua alma. Quando eu estiver contigo, mesmo que em pensamento e em regra de saudade, sentirá uma mão quente fazendo pulsar seu peito. Essa mão será sua mão protetora sempre que precisar. E ela sempre estará para você.

Em cada estrela busque um beijo meu, e em cada beijo encontre um pouco do meu amor. Não tente encontrá-lo por completo, pois nem eu ainda o achei. Todos os dias encontro um pedaço dele, que se junta com outros pedaços e não me deixa ver o seu fim. Ele não tem fim. Ele não cabe em apenas três dimensões.

No mar milhares de gotas preenchem aquilo que um dia foi um imenso vazio. Em cada gota um pingo de suor, em cada pingo de suor um pouco de mim, em cada pouco de mim, um pouco de você, em cada pouco de você um pouco de nós. Sabemos o que queremos e sabemos como pedir.

Você é o espelho que resplandece minha face. Você é o eco das minhas palavras de amor. Eu sou o espelho que resplandece sua face. Eu sou o eco das suas palavras de amor. Agora não me pergunte quem é o original de quem. Me perdi em você quando encontrei você perdida em mim. Nunca tive esse rosto. Meu rosto era frio. Você foi o calor que varreu para longe o inverno da minha face. Nunca tive essa esperança. Mas nos sulcos das minhas lembranças, você encontrou uma fonte que fez a água verter das rochas.

Quando penso em você, um turbilhão de lembranças visita minha cabeça. Quando penso em você me sinto forte e invencível. Poderia dizer que fico pronto para enfrentar o mundo. Tento nessas horas apenas superar a imensa saudade que arrasa meu coração, mas que me presenteia com a sua chegada também. São as doces lembranças que tenho de você.

Fico me recordando dos momentos em que o nosso amor, o nosso carinho, a nossa paixão, o nosso fogo ardente e permanente se conjuga em uma só pessoa: Nós. Posso conhecer teorias, posso ser inteligente, posso ter informação, mas quando minha alma tocou a sua alma, eu era apenas uma alma humana buscando a sensação divina do amor. Você é a parte que faltava para completar meu ser inteiro. Você é aquela que me falta quando estou longe, e penso logo numa forma de voltar ligeiro. Você é o anjo que ao me tocar, provoca em mim as sensações que só os demônios provocariam. Quero arder com você nos lençóis celestiais.

É através desse sentimento, a saudade, que encontro os meios para sobreviver quando estou distante de você. Ela é o alimento para esse sentimento que chamamos de amor, mas que nos surpreende todos os dias com sua falta de definição.

A longa distância por vezes estabalecida, serve para unir os nossos corações, e eu volto a exaltar a saudade, que serve nessas horas como certeza de que ficaremos para sempre juntos. Não sei se a vida será curta ou longa para nós, mas descobri que ela somente terá sentido seu eu puder senti-la junto com você.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

LOST SITUADO



Cala a sua boca. Afaste-se de mim com suas verdades mentirosas, concluídas na tentativa frustrada de querer ser alguém. Reflita somente em si suas partículas coloridas de ignorância monocromática e procure impressionar aqueles para quem você ainda é alguma coisa, antes que eles percebam a mentira que há sobre você.

Não presto atenção nas suas palavras, pois suas repreensões são falsas, e suas frases soam nojentas aos meus ouvidos. Elas querem dizer no final que nunca disseram nada no seu contexto. Seus conselhos são uma comida venenosa. Aparentemente apetitosos, mas no íntimo querem destruir minha vida.

Não queria que a vida tivesse chegado nesse ponto. Não queria ver em você a poção decadente do boticário, mas quando ouço o seu caminhar, sei que o barulho dos seus passos me atormenta. Não é por medo, afnal não tenho medo de você, tenho desprezo por você. Nem tampouco por receio, mas pela simples sensação de ver você. Seu dom de estragar meu dia, ganha cada vez mais uma força real.

O heroísmo e o herói dos erros inexistentes que algum dia estiveram em você, ficaram abandonados em alguma mentira que ouvi da sua boca. A imagem infalível de alguém que me ama, foi sufocada pelo cheiro etílico dos seus lábios. Sua desconcertante trajetória me fez repudiar tudo que um dia sonhei cativar por você.

Não queira abraçar aquilo que seus braços abandonaram. Não queira entender aquilo que sua cabeça dispensou. Não queira se aproximar da distância criada em torno das desilusões pelas quais passei. Seu discurso procura me afastar da sua realidade, suas palavras apenas querem transformar meu delírio juvenil, num pecado de vontade.

Hoje resolve me procurar pelas ruas dirigindo o que acha ser a sua vida, sem saber ou notar, que por anos estive bem ao seu lado. Você podia me ver, mas percebo que nem ao menos quis me olhar.

Brincava de família, brincava no sofá, brincava com as ilusões que eu criei para tentar sorrir. Para me ver era só abrir os olhos, mas talvez os rótulos e as falsas impressões do mundo, ocultaram de você a minha imagem presente.

Quer me controlar como a uma criança. Quer mandar na minha vida, como se ela fosse um jogo controlado pela sua vontade. Essa imagem de criança, é a última imagem que tem em sua cabeça. Você não me viu crescer, e por isso acha que ainda pode estender sua mão protetora, que na verdade, lembra a mão de um algóz querendo me prender.

Você me sufoca em todos os lugares e em tudo o que faz, alegando fazer o bem. Quer se achar o bom e se fazer de bom, quando não passa de alguém que já fez tudo o que podia na vida, e acha que as pessoas ao redor farão igual. Ou seja, acha que o mundo será para mim uma projeção daquilo que você viveu. Imagina que a falta de respeito desregrada que as pessoas cultivaram ao longo do tempo e que você viu como combustível para suas ações, será a precursora das minhas vontades.

Saiba que sou muito mais do que essa imagem. Saiba que vivi um mundo inteiro longe de você. Saiba que minha alegria está na sua ausência, e minha sabedoria habita na minha independência. Grito, choro, corro, vivo. Tudo isso eu faço sem você saber. Você nunca quis saber, você nunca iria entender. Colha agora os frutos da sua ignorância, e perceba que nos momentos eternos da infância você começou a me perder.

Você deixou de me fazer bem. Agora porém, encontrei um encosto para minha cabeça. Encontrei um repouso para os meus olhos, encontrei parada para o meu coração. Queria dividir isso com você, mas as circunstâncias da vida tornaram nossa convivência impossível. Seu exemplo deixou de ser exemplar quando suas ações não podiam mais ser seguidas.

Não serei a pessoa que você espera, serei alguém que irá muito mais além do que você supõe. Aprenda a me conhecer, talvez assim não ficará surpreso com a minha vitória, talvez assim aprenda a ler um pouco mais sobre a minha história. Ela tem sido escrita num monólogo permanente, mas há algum tempo que tem encontrado alguém para escutar. O que antes era apenas uma suposição, agora é uma verdade escrita nas tábuas que eu quero que sejam eternas. Eu serei feliz amando, você será um corpo esquecido nas tabernas.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

ACABOU O PAPEL


Vamos fugir para um mundo onde os sonhos se completem a cada instante. Um mundo feito de poucos dias, feito de fadas e magias. Um mundo de águas e de alegrias. Sem despedida de boa noite, com o gosto constante de um bom dia.

Onde o silêncio não cultiva lágrimas e onde o inferno é apenas um lugar perdido nos livros e nos filmes. Onde possamos viajar antes de dormir, e imaginar um céu límpido no momento do amanhecer. Sem ser preciso imaginar que palavras dizer ao acordar, e não se preocupar com a angústia na hora de se despedir.

Um mundo construído em cada minuto vivido. Sem esonderijos para as emoços, e sem atitudes que revelem falas interpretações. O verdadeiro mundo do entendimento, do cuidado, e das palavras certas que não causem arrependimento. Um mundo feito para ser guardado pelos eterno universo infinito.

Guardo suas palavras, e como um tesouro num relicário, guardo sua forma de olhar. Guardo você nos meus pensamentos e concluo em cada lembrança que você é especial, você é cósmica, você é espacial. Vive num espaço que não controlo, mas faço existir. Dentro das sementes ardentes da alma, que buscam uma terra fértil para brotar, eu crio um mundo que é só meu, e que aguarda o instante exato para germinar.

Queria que viesse comigo para esse mundo mágico, que se abre exatamente no instante que meus olhos se fecham. Um mundo da imaginação, do pensamento, dos sonhos. Como não consigo deixar de sonhar e como não consigo me desfazer da minha cabeça, constantemente estou visitando essa minha atlântida perdida. Pode ser platônica, pode até ser loucura, mas experimento a verdadeira realidade quando fecho os meus olhos para vê-la.

Siga adiante essa história. Consolide em versos os sonhos. Em poesia, os versos. Em história, as poesias, e em ações, as histórias. E numa vida repleta de vigor, escreva outras histórias, outras poesias, outros versos e outras sensações.

Já viajamos no tempo. Já estivemos presos nas cavernas iluminadas pelo fogo. Já sentamos nas casas das vilas romanas. Já fomos cavaleiros nas eras medievais. Já empunhei uma espada, reluzindo sua lâmina pelas campinas da europa, enquanto você me aguardava em nossa casa, esperando pelo retorno do nobre lutador. Já estivemos em outras cabeças, e foi na nossa história que o teatrólogo Shakespeare obteve inspiração para Romeu e Julieta.

Já viajamos os espaço do tempo, como uma ideia de amor. Já paramos à beira da estrada para ver a água que cortava a rocha, e que cantava com suavidade infantil, uma música que nos estimulava a continuar. A partir desse momento, o mundo passou a refletir o céu.

A vida poderá ser um abismo, a vida poderá ser um campo cheio de energia. A vida poderá ser um mistério dentro da sua forma de contemplação. Não quero que a vida seja porém, uma possibilidade de viver, uma praga chamada razão. Quero que o frio do medo me acompanhe e seja vencido pelo calor, que apenas a possibilidade do seu abraço, pode me dar.

sábado, 28 de novembro de 2009

O ALTO ME ESPERA


Os olhos não conseguiram conter o espaço do mundo. Não seguraram a tranquilidade de um destino traçado pela inquietude do conformismo. Esses olhos que conversam com os meus, sempre estiveram distantes de um encontro solitário consigo mesmo. Agora contudo, não queriam ficar em silêncio, não queriam passar despercebidos pela chance de se mostrarem verdadeiros e conquistados.


Gritaram! Gritaram com seu brilho que resgatou um coração blindado e refletiram as águas de um lago esquecido, mostrando assim que dentro da geleira existia vida. A vida apaixonada pela vida. A vida apaixonada pelo sorriso que levemente solta as gargalhadas demonstrando que o querer bem sempre quer estar ao nosso lado. A vida que soltou seus pensamentos das amarras amargas dos anos de preocupação e deu a eles a liberdade incondicional de sonhar.

Essa liberdade do impossível, do improvável, do desconhecido e até mesmo do desacreditado.

Escrever na pedra corpórea da poesia pura os sinais que serviriam para retomar a esperança de respirar sorrindo. As letras cravadas nas entranhas da pele, penetraram tão fundo, que o calor emitido pela carne ardente era semelhante ao magma terrestre em movimento, causando terremotos e pronto para entrar em erupção, expressando assim as intenções de uma alma que arde, mas arde distante do inferno. Uma alma que alcançou a vontade de estar no céu, mesmo que seja para se esconder daqueles que a conhecem, e desfrutar assim de uma eternidade de sensações absurdas e até pecaminosas para os planos divinos. Até Deus, entretanto, entenderia que as penitências são o subterfúgio para a falta de felicidade.


Seus sonhos foram maiores do que sua dúvida e sua capacidade de acreditar no que parecia impossível permitiu que as letras do universo encantado fossem transformadas no som cheiroso de um toque sedutor. As sílabas foram divididas com o peito, que pulsando tão forte como sua decisão, acelerava o compasso da coragem, e dizia bem alto, que vale a pena seguir em frente.

Recebi seus presentes. Vi você deitada respirando paixão, respirando a fúria da pele. Senti sua presença quando o vento brindava a noite quente, e a televisão era desligada com a companhia de um beijo. Nosso champagne ainda aguarda fechado na geladeira. As portas da vida ainda aguardam o encontro leve das mãos que abrirão um caminho de possibilidades.


Nada mais seria demais, nenhum outro momento seria preciso para destacar a força da sua respiração e a capacidade do seu olhar. Mesmo que tentassem, minhas mãos poderiam apenas acariciar seus cabelos, mas não ocupar sua cabeça. Poderiam tocar seu rosto, mas jamais invadiriam seu olhar. Poderiam até mesmo sentir a maciez da sua boca, mas jamais conseguiriam provar o sabor secreto de um beijo seu. Sendo assim restou aguardar a ocasião propícia do momento inesperado. Um momento que passou a existir quando a garganta arranhou as primeiras palavras de aproximação e ensaiou a cena de um reencontro cordial e eterno.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

NA CASA ONDE ESTAVA SOZINHA



O dia se separa da noite com beijos de despedida ao amanhecer. Ele dá seu adeus de forma singela, quase discreta, forçando inclusive uma maneira certa de não aparecer. Esconder nas entranhas dos raios da manhã, todos os segredos cultuados pelos espectros dos sentimentos noturnos. São as coisas que precisam ser escondidas que escrevem boa parte das nossas vidas.

Piedade dos céus para todos os santos sem amor. Piedade para as línguas que se preocupam com o gosto das nossas aventuras. Que essas línguas queimem sob o peso da infelicidade, já que pertencem a corpos insanos, tão insatisfeitos consigo que não se preocupam em dizer coisas sobre a própria vida, antes olham a vida daqueles que lhe atraem, justamente por viverem da maneira mais descabida para essas cabecinhas animais.

A baixaria é o alto da existência, quando ela está de cabeça pra baixo, beijando flores em vasos rasos e sequestrando soldados fracos nas trincheiras condenadas pela morte certa. A separação das estrelas de sua luz e a força da bomba sem a explosão me fizeram acreditar que o ridículo das frases prontas está na intensa reflexão das palavras de adeus. Eu não conheço a morte, não me preocupo com as ações alheias. Não me interessa para onde vão as pessoas, e nem quem seus braços apoiaram como consolação de uma tentativa ligeira. Minha preocupação é o que fazer com a imortalidade do meu sentimento.

Ele abocanha letras, invade páginas. Ele distancia as notas das canções simples, para transformá-las em melodias complexas, tocadas sob a inspiração de um verdadeiro coração apaixonado. Qualquer acorde se transforma numa sinfonia, e qualquer letra vira sob a ideia do amor, uma límpida e aparada poesia. Minha sensibilidade extravasa os limites das minhas regras. Procuro entender a origem do medo, a origem da angústia.

Enlouqueço meus pensamentos e entorpeço meus sonhos para tentar descobrir quem sou e saber onde estou. É nessa procura desenfreada pelas sensações múltiplas das oportunidades que encontro o desejo intenso de querer que a vida me leve para onde eu nunca poderei levá-la. Que ela me conduza em passos decididos para o labirinto dos beijos aquecidos. Beijos de uma parede apenas. Beijos de um corpo escolhido. Beijos diferentes de uma única fonte: A sua boca!

A solidão será abandonada, e o século buscará outra praga para celebrar.

Quero contar minhas besteiras em clássicos que ocupem as prateleiras dos pensamentos simples e os enriqueça com a saudade do silêncio noturno.

Quero viver o luxo e o lixo da vida. Encontrar a paisagem oculta nas formas opacas de um quadro em grafite. Acostumar-me ao prazer das suas mãos escrevendo meus dias. Quero provar o reencontro em cada véu de despedida. Quero abraçar a saudade no momento da chegada e guardar seu cheiro aceso na lareira da invernada. Não quero que você veja meu passado, quero em você meu ponto de partida! Quando notei que a maior presença nos meus pensamentos era a sua ausência, percebi que somente contigo meu corpo encontraria paz.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

UM ANJO NO CORPO DE MULHER


Tudo são cores nesse imenso mar das coisas sagradas que a vida nos oferece. O turbilhão das ondas deixa um leve resquício de desespero que nos leva pro céu. Homens alados brigam pelo espaço junto à mesa dos deuses. O destino joga cartas, e parece que pela primeira vez ele deixou de me perseguir.


Colori com pincel de tinta celeste a carne que cobre meus ossos, dei-lhe uma cor de vida, e permiti que ele respirasse pela primeira vez, acreditando que existe uma experiência nova e latente em cada tonalidade vertida. Finalmente sinto como é bom descansar meu corpo. Abandonar a senda solitárias das companhias ligeiras, fincando em terra firme a âncora da minha poesia.


Provei o laranja da água quente, o verde da tarde nublada, provei o azul do céu reluzente e o vento escuro da noite estrelada.


Provei o vermelho do lápis em carta, o roxo da fantasia laureada, o preto do quarto das luzes e a menina que visitou a mesa das flores durante a madrugada.


Ontem quis tomar conta de mim, e hoje vejo que não consigo dar um passo na direção da minha certeza. Perdi a noção das minhas regras e descartei aquela forma opaca da minha rudeza. Eu pensei que podia brincar com o mundo, e percebi que o mundo brincou de exagero comigo desprezando o abrigo de toda a minha destreza.


Trago sempre minhas asas, não as abandono, pois sei que posso voar bem mais alto que o céu, toda vez que eu desejar, basta trazê-la comigo, basta levá-la pra viajar. Não precisei visitar o paraíso para descobrir a felicidade, não precisei mais do mundo para encontrar a lealdade. Não morri e mesmo assim tornei-me um anjo, descobrindo de onde os sonhos vêm. Eles vêm da quietude cultivada de um sentimento verdadeiro. Eles trazem a calma buscada de cultivar os beijos certeiros. Mantém os pés aquecidos sob os lençóis, que escondidos celebram a paisagem do tempo primeiro.


Visitei seus olhos como um viajante despreocupado, deixei minhas malas num canto livre e desavisado. Nesse instante percebi que a lua se despedia, sumindo por detrás do horizonte. Lá escurecia para mais uma noite de inquietudes, e aqui amanhecia, numa manhã onde os raios do sol escorriam pelos telhados, fazendo-nos esquecer de tudo que já existiu e elevando nosso fôlego ao mais ansioso dos momentos: O que está por acontecer!


Procurei sonolento pelo seu corpo que dormia. Encontrei em você as horas que entraram em sintonia. Tirei o relógio que não suportaria a água, e deixei que as minhas mãos tocassem a verdade dos seus sentimentos. Ocupei a madrugada com o silêncio rompido e viajei para o nosso reino com o peito despido. Deixei minha armadura nas mãos da sua doçura. Abandonei minha espada nas formas quentes da sua figura. De cavaleiro desajustado, me fiz escudeiro fiel. Abandonei os doces amargos roubados para provar o verdadeiro gosto do mel. Quando a boca sedenta pediu outra vez o beijo seu, percebi que muitas viagens me fariam voltar ao céu.


Todo instante uma surpresa, e em toda surpresa o prazer de poder acordar. Acordo nos dias misteriosos para ter a certeza de que o maior dos mistérios se curva diante do abraço sincero e das palavras que verdadeiramente sabem o que dizer.


Veleiro de cristal nas águas calmas de uma vida que começa. Abrace-me com toda a força, e sinta o vento dos navegantes sonhadores, que sai do meu peito, recolhe nossos amores, e impulsiona o barco, que a toda velocidade ruma para o poente.


Veleiro de cristal, brilha as memórias confiadas, reluz a forma bela dos seus traços, transformando os sonhos na realidade de ter você aqui sem notas ensaiadas. Nossa música eleva ao sublime tudo aquilo que gostaríamos de dizer, nossa música é mais do que a música que o mundo inteiro poderia ler. Cantar é como dizer quantos sonhos coleciono quando penso em você.


Insuspeita desavisada da cor da vida. Poderia haver luz maior que a do sol? Poderia algum perfume, perfumar mais que o cheiro suave das flores? As rosas brancas, as rosas vermelhas, são elas as mensageiras daquilo que o coração não estava próximo para dizer. O fogo dos seus lábios serve para mostrar que não existem perguntas e nem respostas certas para um sentimento novo por inteiro.


Podemos ver longe, muito longe nesses dias tão brilhantes que a realidade com gosto de fantasia escreveu. Hoje é mais um instante pra lembrar que hoje eu quero esquecer. Deixar tudo pra amanhã, e o que eu tinha pra fazer vai ficar pra depois. Agora quero que você deite no meu colo e ouça a batida viva do meu coração.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Monalisa você tá rindo de mim?




Minha cabeça é uma armadilha que espera a oportunidade para atacar e tentar destruir com a chuva o dia que o sol elevou.
Ela consegue turvar o céu límpido e margeado pelos lábios de um sorriso sincero, transformando em dentes que se mostram, a água que banha minhas costas feridas.

Minha cabeça conta histórias que não existem e repassa o texto, abandonado justamente por não trazer bem algum. Jogo fora todas as inquietações. Essa cabeça tola no entanto, como um entregador atrasado, corre para o meu encontro, trazendo dentro de si todos os dejetos rejeitados.

Fico perdido no emaranhado de suposições e pensamentos. Não presto atenção naquilo que me rodeia, e despeço sem saber, a oportunidade do sentimento.
Olha-me em silêncio. Fita minha aflição. Pergunta em silêncio o motivo da minha inquietação.

Deixei seus cabelos livres, olhei para o nada da porta aberta. Poderia tê-la prendido entre meus dedos, e olhado em seus olhos, os cristais de Cinderela. Vislumbrei o teto, vislumbrei o nublado. Vislumbrei cada centímetro perdido, cada toque consolado.

Dentro do universo das possibilidades e pensamentos, eu sempre procuro aquele que me consome, aquele que me machuca. Entrego meus instantes condenados ao carteiro, que guarda todas as minhas letras em cartas impronunciáveis.

Procuro aquele que me fará sofrer, procuro aquele que me lançará no poço profundo. Somente nesse instante sinto que me protejo. Somente nesse instante sinto que não fujo.

A constante e inevitável tentativa de proteção! Proteger meus passos das pegadas que eu mesmo dei. Proteger a minha estrada da estrada minha, que um dia criei. Abandonei seus traços, abandonei o seu caminho, e pela primeira vez nessa viagem, senti medo de estar sozinho.

Proteger-me de mim mesmo, como se eu fosse um canibal faminto, sangrando pelo corpo inteiro, tendo a mim como única alternativa de sobrevivência. Devorar minha felicidade, devorar meu bem estar. Devorar o sorriso, pelo medo dele se converter em lágrima num dia que pode nem existir.
Sofro pelas ideias que minha cabeça cria,

sofro pelas pessoas que essas ideias fazem sofrer.

Não queria nenhuma cena tétrica na minha poesia.

Não queria nenhuma dissonância na minha harmonia.

As nuvens carregadas, porém, não respeitam o desejo de um pedinte. Desprezam a falta do tempo, e descartam a impossíbilidade imediata de um encontro.

Assim agem, para poder construir suas ciladas.

Caio nelas, como se fosse um desavisado menino, se encontrando com a primeira provação.

A salvação foi anunciada pelo evangelho escrito. Lido num banheiro, lido num quarto. Lido tantas vezes que as palavras puderam ficar gravadas nas impressões digitais de pequenas mãos, grandes o suficiente para envolver o universal comprovado dos sonhos que o sono não pode acordar.
Espero um sorriso, espero palavras, espero um cuidado. Espero a sensação boa invadir meu corpo, expulsar as indagações idiotas e encontrar a permissão para sorrir. Com a áurea aflição incondicional e livre.