quinta-feira, 21 de agosto de 2008

NOSSO MOMENTO RETRÔ (se puder, repasse)

Rock VI, Rambo IV, Batman, Lp´s, O Exterminador do Futuro, Superman, clássicos do cinema preto e branco, músicas de décadas passadas. Definitivamente nossa sociedade se perdeu no espaço e no tempo. O limite entre o temporal e o atemporal deixou de existir. Somos máquinas alimentadas pelo combustível da nostalgia. Estamos representando cenas que já interpretamos outras vezes. Confirmamos assim a idéia weberiana dos atores e dos atos sociais. Há tempos que o bucólico e o nostálgico nos iludem com a sensação nítida e real de que é possível reviver os tempos passados, e que muitas vezes foram deixados em vão. Isso se dá, ao meu ver, pelo fato de que não temos outra chance para viver, e de que rememoramos um momento no desejo, de que agora que estamos preparados, ele pudesse acontecer outra vez. É a velha idéia de perder o presente lembrando do passado. Algumas coisas são cíclicas, é verdade, mas tornar nossa vida uma eterna busca pelo que ficou ou passou é simplesmente anular toda a oportunidade de afirmarmos hoje, nossa existência. Isso torna evidente a verdade que, daqui alguns anos as lembranças de hoje serão apenas uma folha em branco, pelo fato de que não aconteceram. Não estamos marcando nossa passagem por este mundo. Estamos entrando num sistema de engrenagens que apenas obedece ordens e reproduz a função para qual foi destinando. Nossos heróis e heroínas sucumbiram dentro de alguma seringa esquecida num canto qualquer. Lutamos pela sobrevivência dos que se foram, e perdemos a oportunidade de criar outros mitos. Ou será que não caberia à nossa geração a função de criá-los? Será que ainda continuamos com a velha mania de valorizarmos aqueles que se foram? Será que os desconhecidos e desprezados de hoje serão os evidenciados amanhã? Se for assim estamos perdendo uma boa oportunidade de aproveitar intensamente aquilo que estamos criando. Nossas lembranças poderiam estar baseadas em relatos fiéis, de um presente repleto de satisfações.
Os castelos desmoronam, e ao invés de construir outras moradias suntuosas, perdemos tempo diante da fotografia daquilo que um dia fora um palácio mas hoje é apenas areia morta e espalhada pelos vendavais da vida. Saborear o gosto do passado pode deixar o paladar enebriado e comprometer nossos sentidos. Isso pode afetar nosso senso de bom senso. O que nos falta para falarmos sobre nós? Será que estamos representando uma sociedade sem amor? Sem valor? Sem motivação? Sem inspiração? Como diria Renato Russo: "Tenho o que ficou e tenho sorte até demais, como eu sei que tens também".

Um comentário:

Ferzinha Giacomini disse...

Nossaaa mato a pauu esse comentário aí profee.. É ultimamente as pessoas vivem de passado, se espelham no passado.. Beijoo Che.. Bom fim de semana..

By: Fernanda Giacomini