quarta-feira, 13 de outubro de 2010

UMA REAL


As 3 senhoras estão sentadas à beira do caminhos. Sobre suas pernas cansadas as cartas tentam encontrar alguma ordem para dar vigor ao dia. Pés de guaraná se elevam acima das suas cabeças. As árvores já estão com o tronco cansado, e do seu fruto pouco se pode ver. A seiva bruta e a seiva elaborada estacionaram suas atividades faz um longo tempo.
Uma das senhoras, a banhada pela noite, veste-se de verdejantes pastos, verdejantes arbustos. Ela nomeia a si como se nomeasse a mim, só que de uma maneira diferente. Amarra suas tranças e procura a torre de um castelo para desbancar Rapunzel que já está cansada pelos anos de histórias em quadrinhos e lendas da imaginação. O que uma vez lhe foi tirado, agora lhe é devolvido com os devidos juros de um ano bom.
Na outra extremidade, a pele alva se mistura com a roupa, o que nos dá uma noção de brancura e frescor da manhã. Até pouco tempo ainda mostrava os montes que lhe garantiram uma entrada franca na família. Mania típica das ninfas ou musas, ou talvez as duas que alucinaram o Olimpo. Em especial uma, aquela que escreveu seu nome com o metal fino das espadas dos guerrilheiros.
Ainda à beira do caminho a terceira senhora. Ela se veste com amoras, se banha com os morangos e cerejas que cravam fundo a sua pele. imprimem o tom que sonda seu corpo até as extremidades dos seus dedos. Suas mãos seguram firme as cartas que não são de amor, mas podem lhe garantir uma vitória no findar da noite. Sobre ela despejei especial apreço. Sem preço perco meus pensamentos quando prostrado me ponho a admirá-la.
Elas riem, elas conversam, e um turbilhão de assuntos ganham a mesa e se misturam com os dois, três, reis e rainhas, jovens Valetes que gostariam de tomar corpo e vida para experimentar a sensação de por elas serem tocados.
Junto com as cores que a mesa trás se estendem as formas que ganham vida através de árvores, espadas, fino metal e aquele que melhor representa nossas vidas: O coração.
Para cada cada uma delas poderia dar uma carta de presente. Para a primeira senhora, aquela noite vestida com arbustos, poderíamos entregar a árvore, pois em seus olhos vejo a vontade de subir cada vez mais alto nos seus sonhos para poder admirar o mundo que para ela se desenrola como um pergaminho.
Para a segunda, a de pele alva, poderia entregar a espada dos reis e números. A espada que por ela já é usada para cortar aqueles que se aproximam, e mal intencionados atrapalham seu caminho. Como guerreira destemida ela busca provar que é muito mais do que diz, pensa ou age.
E para a terceira. Para a terceira eu poderia dar o mundo, mas sobra para ela a copa. A copa dos corações, a copa alta do mundo que é só meu, só nosso. Para a terceira todos os corações não poderiam conter o sentimento que guardo apenas no meu, e sei que no seu também. Mas como se tratando do mesmo sentimento, temos também o mesmo coração. Coração esse, que os deuses separaram em dois corpos para que nossa busca um dia fosse completa.
E para mim? Ora, para esse admirador dos jogos formados restou o ouro. A riqueza que se torna real pela descoberta do amor. A Riqueza que de tão rica se fez pobre para poder se entregar.
Seria o ouro ouro se sozinho estivesse? Certamente que não. Mas com as árvores e espadas amigas posso me sentir protegido para guardar o coração daquela que fez do ferro o ouro fino e pronto para amar.

3 comentários:

Leitão Alado disse...

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Camila Gaidarji disse...

Fiquei impressionada como o final me é surpreendente. Gostei muito.

Tainara disse...

"Certamente que não. Mas com as árvores e espadas amigas posso me sentir protegido para guardar o coração daquela que fez do ferro o ouro fino e pronto para amar." Eu me lembro dos nossos dias.