quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Tumba aberta, inquieta, nascente. Amor, respeito ardente!


Sou um caixeiro viajante. Sou um descobridor das possibilidades ocultas em cada frase misteriosa. Vivo num mundo único, habitado por quem amo. Faço letras das pedras mortas e escuto em tudo um pouco do nada. Dou ao som o tom desejado e encanto com melodias um coração silenciado.
A quietude desses dias ajuda a acalmar meu espírito inquieto. O contraste entre o eu ímpar e a falta do meu par estremece os dias longos que não vejo terminar. Achei uma forma, achei um lugar e enquanto a vida não começa, aguardo em silêncio o meu caminhar.
Nesses dias a solidão me encontra num quarto vazio. Pela janela da sacada olho o infinito e sinto que as cortinas se abrem para o sol a cada novo despertar. Armo minha saudade e ela com munição repleta atira sem piedade no coração deste homem.
É ruim ter uma voz apenas guardada para si. Estou cercado de pessoas e penso na única pessoa que não está aqui. Encontro você nas madrugadas dos sonhos angelicais. Encontro contigo para dizer que ainda existo e não me esquecerei jamais.
Fecho-me num canto escondido de mim mesmo. Visto a armadura que guarda aquilo que sou e sem o qual não seria. Cuido do precioso tesouro destinado a você. Você recebeu, você receberá e sempre o tesouro será seu. Piratas foram banidos, mastros foram erguidos, bandeiras foram postas e o nosso navio finalmente alcança a terra.
Pego suas mãos em meus pensamentos e sinto o gosto da sua pele quando fecho meus olhos. Junto a ideia com a sensibilidade da matéria e assim tomo remédio para a solidão.


3 comentários:

Tainara disse...

"É ruim ter uma voz apenas guardada para si."

Sensasional também é "Tumba aberta, inquieta, nascente. Amor, respeito ardente!" ♥

Estar no meio da multidão e sentir-se sozinha. Odeio isso, odeio o vazio.
Caaail

Camila Gaidarji disse...

Incrível, consigo imaginar cada frase. Me vejo no texto. Adorei.

Tainara disse...

Que estranho, eu tbm me vejo no texto KDPSOAKPAOKAPOKADSPO