terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

NÃO ME SOLTE JAMAIS

Seu nome gravado na minha cabeça assina todos os sonhos que tenho. Autora da imaginação e artista das histórias que crio. O romantismo se faz realidade e as fábulas viram narrativas. Contar nosso amor é dissertar sobre o paraíso. 
Nos abraços de um  dia  a caricatura solta da sua voz me copia. Intermitente, constante, condizente, ressonante. Tudo poderia satisfazer num simples expressar da situação. Meu sorriso mais sincero reflete nossos melhores momentos. 
Cavamos juntos os poços desconhecidos. Buscamos juntos a água, que para essas bocas secas, serve como a única fonte da sentença sã. Colheita de damascos nos campos vizinhos, gelados e escondidos. 
Mãos leves disparam seus toques quando todos os olhares se desviam para as nuvens. Parece que vai chover! Pingos se lançam ao chão. Como anjos caídos do firmamento eles se precipitam e nos lavam com a singularidade de um instante. As gotas poderiam atrapalhar o nosso sono, mas a vontade de estar perto supera a força de qualquer temporal.
 Seria possível compreender a imensidão de cada gesto se me dessem o tempo necessário para satisfazer a curiosidade latente. Entender qual é o sentido e o rumo da caminhada? Não! Eu não tentaria com tanta audácia provar a experiência surpresa do porvir!  
Desconheço o próximo passo por ainda não tê-lo dado. As vezes desavisado, caminho sem ver. Não tenho medo, pois quando fecho os olhos a encontro, onde quer que eu esteja. Levá-la comigo deixou de ser apenas uma opção no momento que meu coração tornou-se seu abrigo. Buscá-la tornou-se uma constante, a partir do momento que seu peito tornou-se meu único retorno. 
Explorar desavisado cada contorno do seu rosto seria a melhor maneira de entender alguns mistérios da sua alma. Sei quando sorri, sei quando chora. Percebo o que o peito diz e  as vezes o rosto demora demais para confirmar. 
Erro por mimá-la demais? Não me importo. Que seja esse o único erro que nos acompanhe. Você chama minha atenção, senta num cantinho. Não importa o quanto silencie, eu a ouço numa cadência gritante. 
 Âncora de rodas, despojada no cais. Lanço-me sobre sua tristeza e faço você correr para longe dali. Para longe da tristeza, jamais para longe de mim. Quando você vai eu vou contigo. Quando eu vou, levo você comigo. Jamais ficamos sós. 
 Cai a noite lenta. Abraça-a uma neblina forte. A terra molhada deixa brotar seu cheiro de fim de tarde. Jardins irrigados na calma do espírito.  Anjos batem suas asas. Brisa santa. Eleva-se às alturas. O perfume celeste traz-nos o divino.
O relógio vira poeira e se despedaça no ar. Os instantes explodem e a presença do vazio foi. Agora resta a maneira singela de um abraço emudecendo na forma concreta de uma obra submetida ao anonimado da pintura. 

2 comentários:

hesseherre disse...

"O relógio vira poeira e se despedaça no ar. Os instantes explodem e a presença do vazio foi. Agora resta a maneira singela de um abraço emudecendo na forma concreta de uma obra submetida ao anonimado da pintura."
Há muito tempo já que me deparei com a tua forma de escrita... És uma retroescavadeira cirúrgica a impulsionar febres, emoções e surpresas aos corações até mesmo não apaixonados....
Continua assim, Prof Che, sempre!

Daiane disse...

"O relógio vira poeira e se despedaça no ar. "

Saudades !!!