sexta-feira, 8 de junho de 2012

A LOUCURA QUE É VIVER AQUI


Esse caos urbano é tão desumano, sub humano, suburbano e animalesco. Feras rugindo suas palavras de ordem, arrotando seus planos futuros. O homem conta seus sonhos pelo ponteiro do relógio, mede sua vida pela quantidade de seus bens e desvia seu olhar das florestas vivas para os prédios que arranham os céus, como se quisessem provocar a ira de Deus. Nessa perdição cosmopolita, o charme se desmancha no ar, e a fumaça dos canos automotores só desperta a ansiedade por saber que se esquece de onde vem, e não se sabe para onde vai.
Animais humanos pedem passagem, vomitam nos horizontes reclamos de rendição. Não suportam desperdiçar a vida em danças que movimentam corpos que já morreram. A cidade cheira concreto, cheira cimento. O sangue jamais poderá correr pelas veias desses casarões que alucinam o transeunte e o tornam mais um solitário escondido sob a alegoria da satisfação.
Fosse uma fábula, fosse uma mágica, fosse um sonho que trouxesse a realidade com o despertar. Mas a cidade já está acordada, ela nunca sonha porque ela nunca se põe a dormir. Como poderia então almejar algo mais surrealista do que a própria experiência concreta de seus braços que escondem abraços sob o cansaço de quem a desafia? 
Arrependida ela lança seus filhos ao ventre marginal dos seus subúrbios. Produz seus construtores, seus espectadores e seus assassinos. Monta sobre a cabeça dos sonhadores e esmaga a perspectiva de uma terceira dimensão. A cidade é assassina, é prostituta, é lasciva e, constantemente dá de beber o vinho da sua fúria àqueles que nela confiam.

Um comentário:

Daiane disse...

'Como poderia então almejar algo mais surrealista do que a própria experiência concreta de seus braços que escondem abraços sob o cansaço de quem a desafia? '


Como almejar? se o querer está preso a algo sem vida, transitório e ausente de sentimentos...