sábado, 25 de julho de 2009

CANIBAIS DE NÓS MESMOS


A vida me faz amar a vida. Viver é relembrar o que se espera viver outra vez.
Mesmo quando os problemas infestam nosso céu durante respingos de tempo, mesmo quando esses respingos parecem duradouros e turvam a imagem do sol, faz-se necessário reviver.
Pergunto-me: Onde o sol morrerá essa tarde, haverá espaço para dividir uma cama? Onde o vento buscará repouso, haverá uma mesa para deixar envolver meu corpo? Onde nascerão as palavras, haverá ouvidos para assoprá-las num desejo?
Quero buscá-las no seu leito nascente,
Embala-las com o cuidado de quem as adora.
Fecho o mundo num espaço de deleite.
Percebo a fome pela vontade de quem devora.

São apenas olhos contando os segredos do universo.
São apenas segredos, presos na quietude desses versos.
É apenas um olhar desvendando seu mistério.
Uma boca calando os lábios que são perversos.

Água benta enrubescida, bebida sem critério.

Abençoados sejam os fiéis.
Versada seja a santa Madre.
Ergam a taça os Menestréis.
Almoce cedo com o Padre.

Guardo-me sozinho dentro do arrepio que sobrou. Guardo as histórias nos pensamentos que se escondem dentro dos labirintos estranhos que não tem dono e se perdem também. É a força mais teimosa que está em nós, é uma pergunta que nunca se rende. Fragilidade e carência que não ofendem. É a força de um sussurro macio que se aproxima do ouvido e passa a convidar.

Costas geladas, recebendo os versos de um chocolate quente.
Beijos nas frases nunca lidas em outras poesias,
Nuca descoberta, tornando costume aquilo que não é da gente,
Mundo dos túneis submersos, versos dessas galerias.

Lábios devolvidos da mesma maneira que me dei,
Toque descoberto das mãos pequenas a interceder.
Suspiros dizem aquilo que respirando não falei,
Veludo que encantou aquilo que queria aprender.

Um segundo para decidir,
Uma visita para ganhar,
A porta está aberta, pode vir,
Eu estou aqui, venha me devorar.

A pintura de uma centelha que incendeia a forma pequena de um abraço, trouxe morena a pele macia, dourada nesse enlace. O cheiro da fantasia deixou o mundo mais real do que se podia sonhar. A realidade, mesmo que tardia, trouxe em suas pedras alegrias, e uma faísca acesa com vontade de queimar.
O delírio faz parte das emoções que se concentram, quando a boca se banha de deleite numa vontade imensa de sorrir. Hoje as noites esperam algo e por isso o céu está sempre cheio de estrelas. A vida se equilibra num fio solto pelo firmamento que estendeu o horizonte e lançou no encontro com o entardecer as notas que saíram das cordas entoadas.
Basta um sorriso, um sorriso apenas, para libertar a pena presa nos versos gelados. Não há limite no mundo particular dos anjos que guardam os anos em asas solitárias. Provando o tremor do corpo quente, percebi que há sempre um mundo dentro de nós, um verso que se equilibra perfeito, refletindo a lua, repetindo de forma nua as gotas do sereno.

2 comentários:

Gabi disse...

"Provando o tremor do corpo quente, percebi que há sempre um mundo dentro de nós, um verso que se equilibra perfeito, refletindo a lua, repetindo de forma nua as gotas do sereno."
Pronto, falo mais nada.

Oleni disse...

percebi que há sempre um mundo dentro de nós,Esse é um mundo que só a nós pertence. Bommmm.