sábado, 20 de setembro de 2008

PESSIMISTA NÃO, REALISTA TALVEZ

A única maneira de acabarmos com todos os problemas de nossa vida, é pondo fim àquilo que é responsável pelos problemas: A própria vida. Parece que essa frase está carregada de um pessimismo louco e absurdo, mas eu diria que ela é um tanto quanto realista. Baseamos nossa vida na esperança sórdida de encontrarmos a tão procurada felicidade. Depositamos nossa confiança em crenças que servem apenas como um refúgio para a alma, que não quer acreditar na solidão de nossos corpos, perdidos e lançados à própria sorte, dentro de um vazio do existir. Somos responsáveis por nossos atos, e todas as coisas que acontecem em conseqüência disso, são reflexos da primeira intenção. Construímos castelos em terrenos feitos de areia, e quando eles desmoronam, culpamos algum ser por isso, quando foi a nossa incompetência, a grande responsável pela obra mal sucedida. Nascemos para morrer, e essa verdade, pode-se dizer, é incontestável. O primeiro passo para morte é o nascimento. Vivemos uma vida tentando amar, tentando sentir, e na direta proporção de nossos sentimentos estará também a dor da perda, o próprio sofrimento. A melhor maneira de sermos fortes, é não sentirmos absolutamente nada. Claro que estaríamos destinados a loucura, mas por outro lado, também não nos preocuparíamos com isso. "Ninguém nesse mundo é feliz tendo amado uma vez", disse Raúl Seixas. E ele estava certo. O amor é o primeiro passo para o caminho da dor. Amamos com medo de nos sentirmos só. De mãos dadas com o amor, chega também a preocupação, e o medo de ver quem amamos partir, acabada ferindo ainda mais nossos corações. E a felicidade? Se reunirmos todos os instantes que brindamos nossas almas com bons momentos, conseguiremos talvez encher uma caixa de brinquedos. Conquistamos, ao longo de nossas vidas, alguns momentos que resolvemos chamar de felicidade. Mas a incerteza e a tristeza estão mais presentes, num conjunto muito mais completo, insano, porém real. O sorriso marca apenas os sulcos por onde as lágrimas correram. O brilho dos olhos festejantes, serve apenas para preparar o caminho para a nuvem escura e o anjo triste que chega logo perto de mim. Depositamos nossas expectativas na possibilidade de que as coisas um dia poderão mudar. Isso nos livra da loucura de encararmos o verdadeiro mundo. Sem cor, sem cheiro, sem graça. Estamos condenados ao fatalismo da existência animal. E os sentimentos servem para nos diferenciar de outros animais, e dentro do mito racional do ser, tentamos provar nossa superioridade. Afirmamos para nós mesmos, em nosso julgamento da alma, que há algo melhor para acontecer, quando nosso fim será olhar pela última vez para a vida, fechar os olhos e morrer. Se alguém já escapou dessa sina, diga sem demora, aceitarei assim contestações.

2 comentários:

Maya disse...

Nossa, Che, nesse texto você se superou! Magnífico, mas extremamente depressivo!
"Se queres matar-te, mata-te... Não tenhas escrúpulos morais, receios de inteligência! ... Que escrúpulos ou receios tem a mecânica da vida?"

Existir pra quê? Existirá ainda alguma razão para tudo isto, vale a pena continuar tentando?
O amor... Vale a pena existir por ele?
Depende... Depende se você já amou... ou ainda ama.
Vale a pena fingir que vê-se dragões aonde existem apenas moinhos de vento? Vale a pena ter esperanças?
...

David disse...

pra ler um "tapa na cara" desses, o psico-emcional tem que estar em boa forma, c não é corda na certa.. rs...

escrevendo cada vez melhor hein che...

e a ideia do outro blog eh boa,boto fé.... hehehehhe
abração