sábado, 27 de dezembro de 2008

OUTRA VISÃO


O amor se escondeu nas noites intermináveis, onde a paixão fazia o possível para o sol nascer. São sinais que se converteram em palavras, e provaram que o grito vazio apenas bateu na parede e voltou. Nem que fosse possível, as pessoas gostariam de viver suas vidas em felicidade plena. Isso pelo fato de que sem o equilíbrio triste, o sorriso tornar-se-ia monótono e sem cor. E o caminhante segue a procura desse amor que se perdeu. No espaço dos tempos longínquos, percebeu que exíguas eram suas possibilidades de vitórias, e seu cerne, estava repleto de objeções, que deixando o campo subjetivo, passaram a lhe fazer tremer. Como ele queria ter um plano de fuga! Fugir despretensiosamente e não olhar para trás, nem que fosse o temor de virar uma estátua de sal que o motivasse. Mas deixar Sodoma é algo que ele não quer. Em Sodoma, assim como Gomorra, seu corpo não pertence a ninguém. Seus pecados, sequer são registrados, pois a idéia de culpa não existe, a idéia de pecado é apenas uma das muitas filosofias que, escolhemos ou não seguir. Viu-se então preso pelo desejo, que se chocava contra a vontade. Tudo que motiva o homem estava trabalhando ao seu favor, ele só precisava escolher qual dos sentimentos seguir. Sua boca era distribuída nas noitadas, como acenos no coliseu. A cada saída, porém, percebia que deixava em casa seus sentimentos, trancafiados no baú de Pandora. Isso ia além da mera comparação, pois sabia que uma vez aberto seu coração, os malefícios para si seriam inevitáveis. Mantinha-se fechado, calado, gelado, mas isso apenas em sua parte alma, pois sua parte matéria revigorava-se a cada novo abraço, a cada novo enlaço. Aí então ele pôde perceber que o coração de um homem nem sempre está onde sua boca está. Percebeu que ele sem os riscos do amor seria apenas mais um pobre caminheiro errante, mas que o amor sem ele, seria sempre a força motriz das artes e dos homens. Comparou-se a uma estrada. Uma estrada sem o sol, de nada serve, pois estaria condenada a mais densa escuridão. Não deixaria de ser estrada, mas com o tempo, não haveria fôlego de vida que pudesse caminhar sobre ela, perderia seu sentido, perderia sua razão de ser. O sol por sua vez, não precisa de uma estrada para brilhar, brilha por si, em si, e mostra quantas coisas podemos experimentar. O dia ganha a benção de Hórus, e nos mostra muito mais coisas do que a noite. Isso porque o dia nos traz satisfação, liberdade, olhos abertos, que num misto de razão com emoção, nos faz sonhar, e perseguir nossos sonhos. O menino peralta, amigo da loucura, parou de se esconder. Mostrou-se em sua forma plena, e pôs-se à mesa para ser experimentado. O que antes era uma fuga tornou-se agora uma viagem. Marcada pela ansiedade de conhecer novos caminhos, de descobrir novos horizontes, e de se entregar à sorte pura do amar sem saber.

Um comentário:

maria&marcos disse...

poxa che... esse texto, faz qualquer um sentir saudade de suas aulas... ótimo texto... Beijos e um feliz 2009 pra vc