segunda-feira, 21 de julho de 2008

A DESUMANIZAÇÃO DA HUMANIDADE (se puder, repasse)

Tenho medo de que o mundo tenha ficado acostumado demais com os temas relacionados a fome, miséria, desigualdade, desprezo pela vida humana. São tantos falando, e ao mesmo tempo outros tantos sofrendo as penúrias que a vida impôs. São crianças, frutos de um mundo intolerante, inconsequente e desprovido de qualquer senso de bondade, são jovens desiludidos, sofrendo a angústia da própria crueldade, são velhos destemidos, corajosos e ansiosos por piedade. A fome virou notícia! Pessoas famintas viraram páginas de jornal, e tudo o que se ouve hoje em dia diz respeito a projetos que serão feitos, planos que serão colocados em prática, investimentos que um dia virão. Não precisamos viajar até a África, o continente esquecido, para nos depararmos com a miséria que consome a nossa sociedade, basta olharmos ao redor, basta caminharos por entre as ruas de nossos bairros, visitarmos as vilas, os hospitais públicos, as escolas, olharmos para as periferias e uma infinidade de problemas se apresentará. Fico tremendamente triste quando passo em frente aos postos de saúde e percebo pessoas aflitas que imploram por algo que apenas possa lhes tirar a dor. Mas a pior dor as vezes é a dor da própria existência. Uma existência que pede licença para acontecer, uma existência que as vezes sente um pouquinho o gosto da vida. São pessoas que trazem no olhar a tristeza das lembranças que gostariam de esquecer. Olhos marejados por lágrimas que nunca deixaram escorrer nesses rostos marcados por uma boca que jamais ousou sorrir por um motivo sincero e verdadeiro, antes porém foi usada para implorar socorro a quem quer que pudesse trazer um pouco de alívio à alma conflitante. Tudo isso parece um exagero, mas eu afirmo que não chega nem perto da realidade doente pela qual estamos passando. O mundo estabeleceu seus limites para a dor e o sofrimento, o problema é que como um recordista olímpico que ultrapassa as próprias marcas, ele também está estabelecendo novas fronteiras para o absurdo.
A fome não destrói apenas o corpo, destrói o senso do bom senso, destrói o brio, o orgulho, o próprio ser humano. O homem que no lixo encontra comida, a comida que serve sem virar lixo, o lixo que é revirado pelo homem, o homem que se confunde com o próprio lixo. Não cabe nesse espaço a tentativa de encontrar o culpado, pois isso jamais conseguiremos encontrar. Mas uso essas linhas para constatar um fato triste, um fato que nos traz indignação e as vezes arrependimento de ser ser humano.

4 comentários:

Maya disse...

Mas quem é que vê? Quem é que vê e que depois não finge que não viu? Quem é que vê e finge que aquilo não é problema dele, só porque ele teve a sorte de não ser o outro?
Todo mundo diz que isto tem que acabar, que o mundo tem que mudar, mas ninguém faz nada! NADA!
Quantas pessoas vão ler este texto e passar reto, continuar com suas vidinhas medíocres, fingindo que não é com ele?
...
É idiota. É Ridiculo. Não, é muito mais do que ridículo ... É simplismente humano.

Leila Sleiman. disse...

O problema,é que nós acabamos nos acostumando com a situação deplorável,que pessoas por ironia do destino estão sujeitas a passar o resto de suas miseráveis vidas.
Sabemos das pessoas que morrem de fome.Cremos que somos incapazes de mudar tal situação.O que é errado.
Temos a capacidade de ajuda-los,talvez limpando a sujeira pública .Para que não tenhamos que ouvir,uma vez mais,que pessoas estão morrendo de fome.


Leila Sleiman-Alfa Foz.

Chris disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Chris Pekenah disse...

Infelizmente nossa reação é nenhuma, é vaga. Ficamos Estagnados com a realidade...e deixamos de fazer algo para que isso seja diferente. Nossa voz ...se é que temos voz para clamar, (ou melhor temos força e coragem para encarar e mudar esta tal realidade?)não se faz viva...forte...alta. Não se faz agir.
Braços cruzados não fazem nada...Apenas mostram a ignorancia e mediocridade de um ser chamado Homem ( o ser pensante... que afinal sabe usar de sua inteligencia?)
Eh apenas um mero ser pensante mas que ao se deparar com a realidade mostra-se um ser totalmente alheio ao que esta em sua frente, incapaz de reagir , covarde em assumir tal posição : apenas um expectador .Assim.
Apenas um Ser.Apenas mais um .Apenas um homem qualquer. Extremamente paralizado com o que vê.