segunda-feira, 7 de julho de 2008

O RETORNO DA VERANEIO VASCAÍNA (se puder, repasse)

Cuidado, pessoal lá vem vindo a veraneio / Toda pintada de preto, branco, cinza e vermelho / Com números do lado, dentro dois ou três tarados / Assassinos armados, uniformizados
Veraneio vascaína vem dobrando a esquina!
PORQUE POBRE QUANDO NASCE COM INSTITNO ASSASSINO / SABE O QUE VAI SER QUANDO CRESCER DESDE MENINO / LADRÃO PRA ROUBAR, MARGINAL PRA MATAR / PAPAI EU QUERO SER POLICIAL QUANDO EU CRESCER.
Se eles vêm com fogo em cima, é melhor sair da frente / Tanto faz, NINGUÉM SE IMPORTA SE VOCÊ É INOCENTE / Com uma arma na mão eu boto fogo no país / E não vai ter problema eu sei estou do lado da lei.
A música acima se refere a atuação de policiais durante a ditadura militar no Brasil. Mas a truculência e a força continuam como imperativos impensados dos arautos da defesa e portadores do direito de MATAR. O último episódio está relacionado ao menino João Roberto de 3 anos, morto numa ação onde policiais perseguiam bandidos armados, ou talvez nessa ordem, assassinos perseguiam bandidos armados ou bandidos armados perseguiam bandidos armados, enfim, não sei mais como empregar corretamente os termos que disponho. Uma criança com 3 anos de idade morta com um tiro na cabeça! Mãe e filhos retornavam de uma festa infantil. A mãe do menino dirigia um carro preto (mesma cor do carro onde estavam os bandidos foragidos, mas me refiro aqui aos bandidos que não andam com sirenes ligadas). Os policiais confundiram o carro em que estava a família carioca com o carro dos bandidos. Isso se deu pelo fato de que a cor preta em automóveis é extremamente rara e difícil de ser encontrada, uma vez localizado, o automóvel foi identificado como sendo da quadrilha, já que o número de veículos desta cor é extremamente raro. Se fosse uma cor comum, como abóbora salpicada com uma tonalidade de verde musgo marinho o cuidado com a abordagem provavelmente teria sido maior. Uma saída talvez fosse pesquisar essa nova forma de daltonismo que pelo jeito está se espalhando.
A questão é que o fato foi simplesmente absurdo, desastroso, vergonhoso, estúpido. O Estado pode se pronunciar, pode pedir desculpas, os policiais podem (e deveriam com toda a certeza) receber punição, mas nada, absolutamente nada irá unir novamente essa família marcada agora pela dor de ver um membro de seu seio ser cruelmente assassinado. A mãe num ato desesperado tenta de todas as maneiras provar que era uma cidadã de bem, mas o disparar das armas não deu espaço para que essa mulher, que arriscava a própria vida, salvasse a daquele que ela amava e continuará amando. Quer dizer então que agora as perguntas não são mais feitas pela boca, e sim pelos canos? A vontade é que seguindo essa lógica, os policiais envolvidos passassem por um belo questionário.
Não estou afirmado que toda a corporação seja responsável. Que fiquem isentos os valorosos homens que assim como eu também ficaram constrangidos diante do fato ocorrido. Mas aos envolvidos desejo o cheiro podre de uma cela e a dor da consciência como punição para que diariamente sintam vergonha e ojeriza de si pelo que fizeram.
Que as lágrimas do pai do menino João Roberto, que as lágrimas da mãe sejam usadas como prova cabal de que mais uma vez a justiça agiu injustamente, e que os bandidos mudaram de lado.

2 comentários:

Dedo Duro disse...

Muito bom este teu texto. Li ele inteiro, me interessei e gostei. Vou repassa-lo no meu email. Muito bom mesmo, parabens pela sua criatividade e na boa defesa de seus argumentos. Até mais.

Dedo Duro disse...

obs: queria saber sobre esta musica, nunca ouvi ela, poderia me passar o nome e o cantor para que eu possa procurá-lo???

Obrigado parceiro.