sábado, 8 de agosto de 2009

OM MANI PADME HUM

Corre agora em passos curtos e passadas certas para o espetáculo das cortinas que se abrem, enquanto o vento lá fora assovia de algum andar. Corre para o mundo nostálgico dos gregos e de suas pífias das sabedorias marciais que buscam colos para serem embaladas como crianças artificiais. Se Leônidas não fosse tão herói, talvez seu heroísmo fosse perpétuo. Isso sempre foi Esparta. Esparta sempre foi a letra forjada da própria Guerra. O poço que aguarda com sua densa escuridão as vestes dos homens nus. Aguarda os homens que ousaram respirar acima de Áries.
Os olhos se espalharam pelas luzes que refletiram Atenas. Guardaram as sementes e esperaram pelos frutos de suas colheitas. Ano sem frutos. Azeitonas que rolaram pela terra seca, e não apeteceram o paladar do Olimpo.
Não foram pedidas oferendas, não podem se queixar os Arcontes. Não foram prometidas chuvas, não podem secar os montes. Azeite para o moribundo perdido na vala. Letras para compor o ode daqueles que venderam a fala.
As esculturas do Paternon em baixo relevo, sempre foram assediadas por pretensos autores. Assinaturas sem mãos apareciam e cravavam sua insígnia na alva veste sacerdotal que seguia curando. No esplendor clássico do momento, se levantaram vários oradores. Desde a defesa posta diante da retórica, até as Catilinárias em suas cenas históricas, tudo passou percebido por Urano.
Iluminada a sorte à própria senda. Liberta os braços da morte de sua oferenda. Quando as águas puderem tocar o céu, todos saberão que é no horizonte a escrita incômoda das nuvens de fel. O sino do relógio tocou! Seguro em seu pêndulo, o guardião troca de guarda, abandona o velho Péricles, e busca Brutos no Senado. De que valeu Cipião? Bendito tardiamente seja Aníbal e toda sua Barca.
Nos recortes que a experiência prova, sempre existe um ardil que se renova. Nas histéricas ruas do medo, sempre guardam os homens em pequenos potes seus segredos. Em tempos de paz os filhos enterram os pais, em tempos de guerra os pais enterram os filhos, já em tempos de poesia todos podem enterrar a todos.
O coveiro se lança triunfante sobre a vitória! Sabe que mais uma vez concluiu seu trabalho do lado de fora. Ele jamais pensou em dar boas vindas aos que chegam. Cultiva o dom de dar adeus aos que partem e assim como seus planos, isso faz parte de seus melindres. Cultiva um toque em terras férteis, muda a ocasião que transforma os planos. Abre as pistas que ficam inertes, constrói no horror a sorte dos seus enganos.
Caixões em caixas de papelão. Caixas vazias sobre mesas e cadeiras de lata espalhadas e esbarradas, aguardam algo de interessante para se encher. Enchem-se de lacres arrancados. Aguardam o veredicto pronunciado.
Candidatem-se sensações de trechos obscuros, candidatem-se salas brilhantes do cinema escuro. Tudo cabe dentro da porção infinita das possibilidades dispostas a ocupar esse espaço! Tudo cabe na fumaça respirada pelas cinzas na hora do seu cansaço. Amém ao raio no vazio escuro.


Um comentário:

Oleni disse...

Nos recortes que a experiência prova, sempre existe um ardil que se renova. Nas histéricas ruas do medo, sempre guardam os homens em pequenos potes seus segredos. Em tempos de paz os filhos enterram os pais, em tempos de guerra os pais enterram os filhos, já em tempos de poesia todos podem enterrar a todos.
Muito bom.