quinta-feira, 6 de agosto de 2009

VENI VINI VICI



Uma fantasia que se perde quando a noite chega. Uma fantasia que reflete a própria extensão das suas virtudes nas campinas verdes das cachoeiras escondidas. A face remota das circunstâncias escreve com letra de carne o testamento que vida não hesitará em experimentar. Aconchego num braço, deleite no além. Mundo das mágicas guardadas em cartolas que apareceram sem avisar.
A própria feiticeira que após ter deixado a poção mágica, se mantém viva na sensação perceptível do entendimento, se levantou com pingos brilhantes nos olhos, compondo uma verdadeira mina de esmeraldas.
A lua dessa vez se impôs como magnânima de um céu que sequer levantou a voz para contestar sua rainha, que majestosa brilhava como um olhar de felicidade diante da surpresa recebida. Era tão charmosa em sua forma feminina, que dispensava um segundo olhar. Crescia e parecia que entrava enfim numa existência eternamente interessante. Cada minuto, dos poucos que me eram concedidos, continha um êxtase, um luxo radioso de sensações que ficaram guardadas tão intimamente que só eu poderia encontrar.
O cheiro secreto ainda está em minhas mãos. Sinto o perfume desvendar cada centímetro de minhas palmas. Ele percorre a linha da vida, se estende sobre as falanges, toma conta dos meus pulsos. Faz-se mais intenso do que o sangue que percorre meu corpo. Minhas mãos postas em oração estão abençoadas pelo aroma suave. Sinto como se elas tivessem tocado o céu. Ultrapassaram as nuvens de algodão doce, e trouxeram a suavidade do doce açúcar num pote de ouro entregue pelo duende protetor. O céu ficou sobre mim com seus anjos de formas perfeitas. O céu estava sobre mim como uma deliciosa sensação de surpresa quando eu, com cartazes postos em branco, amassava as cartolinas, rolando sobre os sonhos que pareciam reais demais para um mortal de anos contados.
Sentindo o cheiro melódico dessa suavidade, desvendei os segredos da história, e entrei como um Cavaleiro Templário nos arredores de Jerusalém. Senti-me como uma testemunha ocular da Idade Média, quando ela já baixava sua guarda, e apresentava as crises da fome, da peste e guerras. Senti-me uma fera apocalíptica de várias cabeças, usando apenas uma para pensar, enquanto as garras da ocasião perfeita aprofundavam suas impressões.
Quanto vale um cheiro? Quanto vale um prêmio? Guardado nos recônditos secretos da sensação, está a paz de um espírito que não se entrega sem lutar.

Um comentário:

Oleni disse...

A própria feiticeira que após ter deixado a poção mágica, se mantém viva na sensação perceptível do entendimento, se levantou com pingos brilhantes nos olhos, compondo uma verdadeira mina de esmeraldas.
.Viva a magia da imaginação.