sábado, 3 de janeiro de 2009

SURGINDO DA TERRA VIVA

Um dia sentiremos saudades, da companhia amiga, quando julgávamos ser necessária a solidão, da mão invisível e das freiras em procissão, da vontade que não passava, do sorriso sem graça, dos nossos pensamentos, que muitas vezes enlouqueciam a razão, do lado ruim das coisas boas, do discurso solicitado por outra pessoa, das coisas simplesmente simples assim, de certas coisas que não esqueceremos jamais, de pensar na vida antes de dormir, de sonhar com a vida e não querer acordar, de saber que o tempo não cura tudo, e quando cura ele demora tempo demais para passar, de ser aquilo que ninguém vê. Sentiremos saudades da chuva que caía, desabando gotas torrenciais dos portões abertos na esfera celeste. Saberemos então que a saudade somente relembra aquilo pelo que tivemos imenso prazer de passar.
Sempre vivo, sempre eterno, sempre sereno. É o preço que se paga pela certeza do estar bem agora. Não venha antes do previsto, porque terás em seu ventre, saudade, um peso mal visto. Não queira aquilo que não se viveu ainda, pois correríamos o risco de perder o caminho já pensado. Pensado de maneira desordenada, por meio de conflitos mal resolvidos, mas estabelecidos na vontade genuína de viver. Não importa se no primeiro, no segundo, ou no terceiro dia da criação, o importante é que a imagem divina da perfeição se estabeleça cada vez mais em todos os lugares. Não importa se na beleza de um jardim inteiro, ou na solidão interrompida de um banheiro, o importante é que os lampejos da vida continuem alimentado o alarido dos bons sons.
A saudade, às vezes é uma escravidão e uma dor que não queremos, ou uma mágoa pelo tempo que não foi aproveitado, quando por um temporal do destino, saímos correndo, e deixamos a idéia de algo não terminado.Não sei quanto durará, nem ao menos se chegará, mas sei que sentiremos.
As maneiras e formas aprendidas foram todas esquecidas numa bolsa fechada, deixada numa esquina qualquer. Esteve lá, imperturbável, até ser acordada e posta em pé, para que diante da prova de fogo, fosse forjada no calor da batalha. A batalha das conversas, das poesias, das músicas, das histórias. Batalhas que viraram uma guerra, e permaneceram vívidas na memória. Cada vez mais adentrando no território inimigo, pude transformar em abrigo, as letras transitórias. Procurei o espetáculo vivo, o picadeiro aceso do circo, o trapezista e sua corda.Tudo que encontrei contudo, foram palhaços rindo da própria desordem, com suas maquiagens borradas pelas lágrimas do riso, e transformadas em carne fresca que os cães mordem.
Esse desajuste entretanto, não é idéia rara, antes porém, se faz crer que apenas uma sala, pode eternizar os nomes e manda-los para o além. Os sofás ficaram para trás, a televisão não continha mais canais, e a mesa posta apenas estava alta para observar animais. Nessa selva proibida, alguém fugiu e se deixou como fera ferida. Caçada pelas veias abertas da saudade, que também liberta, mas que procura, chama, clama, clama pela chama acesa da sua loucura. Loucura de idos, vindos e idades, loucura que também em sua mistura trará saudades!


2 comentários:

Léu Ávila disse...

Grande professor!
Quem recomendou o teu blog foi minha "meia que irmã", a Izabela Melo, ela diz que parece eu escrevendo
Achei mto, mas mto mesmo interessante o teu jeito de escrever.
Sempre que puder eu deixarei meus comentários!

Grande Abraço!

Gabi disse...

Hey! MUITO obrigada pelo comentário no meu blog e tal. E, vou te falar, também adorei o SEU jeito de escrever!
Grande Leu hahaha :)
Beijos!